Um dia ao estender as mãos engelhadas pelo tempo de labuta e dor vejo o brilho do teu olhar complacente olhando para mim, antevejo a dor e desprezo naqueles lindos olhos da cor do céu enublado mas, que tudo eram para este ser que se acha em fase moribunda, pela vida de tanto sofrer.
Não pensei chegar onde cheguei, atravessei pontes e vales em desmates de marés, mares sem ondas apenas ondulando arrelias, onde o coração se aperta de dor gentia, dor que mata e sente e, nem sabemos se a dor fica se a dor é gente, gente que sofre no meio da multidão refugiando-se num qualquer umbral de porta onde não chegue nem frio nem chuva, mas que ao ser escorraçada a cada minuto que passa, num rol de sonhos desconexos de irrealidades,
Perco-me em paisagens de verdes mantos rebuscando nas gavetas de memórias onde o caruncho já abunda, desligo-me do materialismo e apenas arrumo o que penso que é útil, deito fora o desnecessário, ficando com a mente mais vazia em loucuras de esquecimentos de vidas, essas que me fizeram rir ou chorar mas de aproveitamento nada tiveram, sofrimentos imensos rasguei os cetim envoltos em pérolas de bem-estar dividindo-me num ser irreal de puro egoísmo.
Constato apenas que o sofrimento e a dor andam de mãos dadas, e essas foram feitas a dobrar para mim, não critico apenas discordo da áurea que me foi imposta ao meu destino humano.
Recordo que existo mas não sirvo para nada de nada, sou um estorvo social fazendo peso há terra e sombra ao sol.
Sem comentários:
Enviar um comentário