Nesta imagem quedei-me num pensamento sombrio, olhava sem ver apenas relembrando o que os meus cristais desmemoriados se lembravam de trazer à minha singela memória.
Vejo reflectido o olhar num horizonte através de uma janela imaginária, a da minha alma perdida, sem nexo de desventuras e, firmezas de horizonte onde eu busco infimamente a aurora boreal envolta de um azul celeste onde me sinto defunta com o olhar em vazios, envolvida em brancuras de montes de algodões, formando sonhos, brinco num aglomerado de bonecos, esses inatingíveis mas, ao tentar pegar-lhes apenas vejo as deformações das minhas desgastadas mãos e, corro numa tortura de desalento contido espanejando pelos meu olhar os cristais formados em poças que invadem o meu rosto torturado da vida.
Continuo voando na ficção imaginária do sentido, sem direcção, num rumo indiferente de cruzamentos emotivos, não sabendo se o sonho comanda a vida ou a vida comanda o sonho, tentei e, nem ao colocar as pilhas senti o comando, deflagrei num arrepiar de tormentos como chamas que me vão envolvendo sem calor humano, devotando-me para o canto da saudade, aquela que agora sinto pressinto e desejo, mas o caudal vai formando pingentes de gelo onde continuo a olhar e tudo continua em branco, opaco sem luz, e ao abrir os meus olhos continuo na imensa escuridão encapuzada de luz mas que continua a ofuscar o olhar, sem sentir a vontade férrea de voltar a olhar
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