O dia à muito que se pôs, mas o meu olhar apenas relembra o sol que um dia me fez sorrir, era um sol alanranjado, muito mesmo mostrando e desencadeando o fogo que existe em mim, o fogo do desanimo envolto numa estrela cadente que me vai corroendo em escapes de vida.
Sonho acordada pensando que podia ser um ser melhor, mas quanto mais penso mais me sinto destruída pela vontade do meu semelhante que me assola com impropérios e de desânimo em desânimo vou caindo num abismo tão profundo que a negrura da noite não deixa renascer a única estrela que poderia deslizar no meu horizonte, tento transpor os obstáculos de um destino malfadado, e neste olhar cansado de viver apenas me revejo nos meus atropelamentos sem eira nem beira transformando-me num ser ignóbil onde eu nem consigo encontrar-me.
Luto por lutar vivo por viver sem objectivos sem vontades de um ser que poderia revirar o céu para poder viver na terra, terra que calco onde me sinto livre cantando ao som dos pássaros empoleirados na árvore memorial da minha infância onde eu subia para me esconder de algo que até hoje ainda não consegui decifrar, seria o medo de viver, questiono e, quanto mais penso mais me convenço que neste mundo o meu maior problema é o medo de ser, de estar e, de viver, o medo de dar demais e sair por demais magoada como fui á muito tempo,
A ilusão impera nos meus sentidos e sentimentos, mas esses, eu escondo pois seriam um gozo demasiado domesticado para o meu gosto e, mesmo esses pertencem a um sofrimento próprio da sublime solidão do ser, o meu ser, que deambula num desamparo sem ligamentos, esses é o meu ser desligado como se de uma corrente se tratasse e, fosse cortado o fio condutor de eléctrodos mais negativos que positivos… alcançando as estalactites gélidas que quero abraçar continuando a querer reviver a geleira da minha vida desafortunada, vida desamada, em angustias detentoras de escritas absurdas mas que apenas servem para eu me compreender neste mundo onde o sol se pôs há muito tempo.
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