quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Hoje nós vamos fugir, vamos fugir ...
Não sei porque é que se repara tanto no aniversário da morte. Não é de festejar, não é de celebrar, não é de recordar: nada.
Não consigo explicar este fenómeno.
Mas é, de facto, um dia em que pesa mais a ausência. Será talvez um reconhecer que durante um ano tanta coisa passou, e passou sem alguém. Durante um ano rimos, chorámos, chateámo-nos, sentimo-nos felizes, infelizes... e por vezes até nos esquecemos que há alguém já não sente nada. Nem sente, nem observa a mudança, nem opina sobre nada. Simplesmente não está. Não está e não estará. Desapareceu.
Esta irrefutabilidade da vida que continua sem estar coxa por lhe faltar um membro. Esta irrepetibilidade de momentos, de companhia. Esta privação. De tudo.
Isto pesa mais no aniversário da morte.
Hoje faz um ano que o meu Pai morreu. E eu estou pesada, pouco voluntária.
Vim ver o Mar. Só. Sentar-me na areia, sentir o vento e ver o Mar.
Se me sossega? Não sei.
Mas aqui sou só eu e o barulho das vagas. E estava a precisar disto.
Saudade...
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário