O meu EU está vazio.
Vazio de pessoas, vazio de objectos, vazia de tudo, provida de rostos sem nome, súplicas ignoradas, odores envelhecidos.
O meu EU é de vidro... Não me declara enigmas, não me seduz, não dança comigo.
É assim que sofro o incómodo a ponto de insular algo dentro de mim. Não sei bem decifrar porque me sinto assim, não é a original, não é todo dia, não é a existência toda, mas agora sim, agora talvez.
Não gosto de ficar nesta condição miserável, permaneço mal-humorada, com saco cheio de tudo, insuportável. Querendo a terceira guerra mundial, conduzir uma militância forrada, devastar o planalto, imunizar as queimadas, tiro satisfação até com o ”cão”, reclamando das roupas jogadas, dos livros amontoados, das caras desbotadas, contestando a vida após a morte, abominando minha mãe, porque me deixou nascer, descrendo da buena-dicha, devaneando com o nada.
Quero desaparecer (ou cair para dentro) do “mapa” enfraqueci, mas não adiantou, não quero encher a cara de inconstâncias estou feliz, e não estou…
Eu discordo. Sempre fui mal interpretada, não era procedimento estudado. Acho, que me expresso mal. Tenho um temperamento difícil, não nego, coisa de criança não foi mimada. Não tenho diagnóstico, já tentei infinitas vezes dar um nome a essa coisa.
Não tem nome. É ilógico. Não tem eixo nenhum, um navio sem rumo e sem sinais, olho ao redor e não antevejo mais nada.
Mas o que experimento nada tem a ver, mas sim com um análogo de coisas que emperrou.
É o sentido do nada que me devasta. É um sem sentido, num sentir outorgado e derribado.
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