Deambulo por esta vertente de pedras aguçadas indo ao encontro de um remulhar de sons que ouço bem longe, cascatas de urze ferem minhas mãos e, arrasto os pés ensanguentados como dores paridas de outrora, esta angústia transfigura o meu ser.
Procuro o azul de um céu que outrora vi, mas a negrura que observo neste firmamento desfaz as ilusões e sonho acordada num transplante unicornio de vida sem sentido, visualizo um ser que não existe e continuo esta caminhada sem luz sem sol apenas a chuva me faz companhia caindo em meu rosto atrapalhando a visão daquilo que não sou e nunca serei, apenas visualizo o farrapo humano que me transformei fujo de mim mesma, desta nostalgia que vive ao meu redor.
Grito como um ser acabado cheio de micróbios de vidas insanas mas que o mundo ainda quer, vontade não tenho, de viver muito menos, sinto um mal estar no meu Eu que me sinto como um bicho peçonhento, sargetando em poças de lama, não conseguindo sair da fossa, para nada eu sirvo nada sou e, nada faço nesta esfera celestial e, grito com toda a força deste ser, não quero ser real.
O meu sonho devaneceu-se como o orvalho acabando por cristalizar em pedrinhas de neve, escorrego e, procuro o sentido de uma vida inacabada numa vontade de me atirar no remulhar das àguas que acabei por enxergar nas encostas de um sitio deserto levando-me em correntezas de certezas que numa outra galáxia serei muito mais feliz.
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