domingo, 14 de fevereiro de 2010

Construção

Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir Por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair, Deus lhe pague Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, Deus lhe pague Chico Buarque Composição: Chico Buarque (Este tema saiu no meu trabalho de ICP, para não mais esquecer) Afinal des/construi o quê? nem eu sei, que a vida é uma merda eu já o sei, que somos sacos atados e aferrolhados em guelhotinas num mirabolante jogo de botelhitas onde somos jogados ao bento como rafeiros, é velho... E,Eu sou rato de sargeta que nem para a botelha sirvo,sou enviada para os abutres de bico esperto sentindo o debicar na minha carne dilacerada, apetece fugir do tempo do espaço mas a obstrução da do meu EU não deixa que eu durma ao domingo porque no sabado trabalho, nos outros dias sou escrava do tempo e do espaço, morrendo como se fosse a ultima!!!!mas não beijei sequer a despedida.

1 comentário:

  1. ola
    gostei imenso do teu blog
    das tuas palavras

    convido-te a uma visita ao meu intitulado
    máquina de escrever

    aqui est+a o link:
    http://www.omagnetismodosimpulsos.blogspot.com/

    obrigado

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