sábado, 13 de fevereiro de 2010

Paralelos

Interiormente abre-se uma ferida colossal de carne viva, sangra sem tempo nem pele para cicatrizar, abriste-me como o metal frio de uma qualquer naifa, que transportavas ao longo do tempo, sou unicamente e apenas mais uma nas hordas da mentira do teu corpo que fizeram delirar o meu, em abundâncias de enganos num deslize insano de acreditar em ti, mais um corpo, envolto num devaneio de um querer por te querer. Fui um bar aberto serviste-te á vontade dos meus sonhos, ridicularizando-os, espezinhando-os ainda mais, mas fá-lo de uma vez por todas, elimina-os de mim para que nunca mais ceda á tentação de te encontrar. Não quero cruzar-me contigo, se acontecer desvia-te, como leprosa eu fosse e, até sou, no meu ser, no meu sentir, na conspurcação do que eu te dei, sentidos de vidas num tormento danado de acabar comigo, deito-me e só recordo o que podia ter sido mas não foi. Sofro numa impotência, um sentir arrastado no meio de mentiras, pensando num acreditar bobo, que era a tua verdade, perguntas porque te procuro, desvendaste-me assim que me viste, corrigiste-me um sorriso, acertaste as minhas lágrimas esventras-te as memórias, derreteste fantasmas em menos de nada tu, um qualquer, que me disseste que eu não sabia caminhar, por isso teimava em cair em todos os buracos insistindo no abismo mesmo sabendo o resultado final, obrigaste-me a olhar para o espelho para gostar de mim tu, um qualquer, soubeste sempre quem eu era mesmo eu sabendo que nunca me poderia encontrar numa fragilidade por ter medo de amar. Não aceito a mentira, abomino a vaidade e, revolto-me comigo mesma ao ver a ingénua que fui, as marcas acumulam-se cada vez mais no meu corpo, no entanto olho-me no espelho pendurado na minha alma vigiante que ainda me quer fazer acreditar num outro ser, numa outra pessoa. Desilusão num confronto de sarjetas onde me encontro deitada num corpo encardido provocado por ti, imploro que me envies para um outro mundo, liberta-me desta amarra, só que também não queres, és mesquinho, queres-me presa a ti, o prazer pelo prazer de mandar subjugar, num mundo onde sabes que perdes poder. O ribeiro corre paralelo ao charco enegrecido onde me encontro tolhe-me os movimentos grito sem gritar, corro sem correr, ao sentir a perseguição do teu olhar matreiro envolto num sorriso de satisfação como de um troféu se tratasse elevado para o mundo em asas de glórias. Por mais que tentes, lembra-te que fui tua, já não o sou, consigo voar em pensamento, apenas magoas o meu corpo ainda preso ao teu, a minha alma sinto-a livre, hei-de encontrá-la libertando-a do meu sofrer, por isso te procuro, mesmo em sonhos inacabados num congelar emocional de eu posso quero e mando, sim podes mandar no meu corpo mas, a minha alma continua esvoaçante desprendida de toda a emoção.

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