Hoje não saberei dizer onde te reencontrei, numa rua qualquer, cruzei o meu olhar com o teu, fixamo-nos um no outro, subjuguei-me na tua luminosidade comparada com o azul celestial onde navegas-te em simultâneo num remulhar de ondas verdes em alturas de tempestades, revejo um manto de estrelas cintilando e elevando-me ao espaço olhando para o ponto pequeno que eu detesto, a terra.
Desejo viver numa outra galáxia a dos meus sonhos, aquela onde eu abro os cantos da minha mente do meu EU num meio de sofrimentos, nessa não ouço apenas choro os lamentos da minha alma ferida e esganada e sufocada pela maldade humana, o porquê de tudo não sei, o significado de permanecer no ponto pequeno distante também não o sei, apenas insisto com que não quero o meu regresso mas, algo me empurra para o labirinto e vou deslizando nesta escalada sem vontade num esforço para sobreviver.
Não vivo, nem sei o que se entende por isso, respiro como e durmo, ando por aqui, cumprindo metas, obrigações e, quem as cumpre por mim, serás tu a minha alma arrancada por força das circunstâncias do meu ego miserável e empobrecido que tanto viaja e apenas te vê num horizonte. Vejo o raiar de um luar mostrando o teu sorriso através do rochedo que envolve o meu triste ser, não sei explicar o que sinto, apenas que escrevo naquela areia onde me sento a mitigar a minha dor escorrendo pelos meus olhos os segredos da minha triste alma.
Escondida entre rochedos olho sem te ver, apenas ouço o bater furioso das ondas contra as rochas ao meu redor e peço ao meu Deus que me envolva em espumas esbracejantes, envolvendo-me no seu cantar agressivo abraçando-me em carinhos de búzios e, acompanhando o esparramar na areia batendo num ensurdecedor de dores, as minhas e, essas são difíceis de partir.
Ao despontar da aurora recolhem-se novamente, entrando no eterno esconderijo rochoso, onde vão escorrendo lágrimas no meio de tanta dor envoltas em segredos, que nem tu descortinas a vida tortuosa em que me deixas-te, sonhos desfeitos, mentiras sem tempo e, ilusões num acreditar de mentiras, ao descobrir que a maior mentira és tu.
Fui, a patega no meio da ilusão sonhadora de um bem - querer que serviu para uma eventual realidade de ver o ser que vive e respira ao meu redor, num desacreditar humano em grito lamacento de alma ferida que apenas se arrasta ao mendigar, o Sol a Lua e um lugar no Mundo.
Abdiquei de tudo, o porquê nem sei, vivo bem sem respingos de afectos, mas vou rastejando todos os dias de cabeça erguida em retumbâncias de sonhos, os meus, acreditando que um dia a aurora desponta e poisa um bando de pássaros alegrando os meus dias a minha vida com notícias bem mais alegres, envoltas em sorrisos.
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