Vou navegando numa derivação de sentidos em estados putrefactos em que o ser mais ignóbil é o “humano”, reactualizo águas tumultuosas como o meu mundo habitat, sinto-me num sonho transfigurado pelas lágrimas que vão escorrendo pelo meu regaço aprofundando as rugas do meu rosto cansado espelhando as negruras de um ser destruído neste mundo falacioso que ousou um dia reptar, vaguei por estradas com e sem asfalto onde a dor se foi misturando com a sujidade dos meus pés descalços, confundindo-se com o negro ou barrento, que vou calcorreando deixando rastos de um tom avermelhado mas, a dor essa vai-se desfazendo, ignorando-me num sonho do meu alucinado olhar.
Inclinando a curva do meu ser, quase fincado no chão, não pela idade, mas pelo peso da vida longa mas curta, longa no penar, afaça no viver assertivo da deslealdade indulgente em falhas de sensibilidade e, confiar, sentir, sonhar, arruinando condensações de efémeras existências.
Avançando ao sabor de ventos elaborados por tempestades em embalos de ondas que “esta” nau vai tentando sobreviver.
Desfaço o meu eu, num pensar agonizante de desleixo e maldade subsistindo e tentando resistir sem calcar e amesquinhar todo o ser, delongo o meu olhar pelas águas revoltas em espumas esbranquiçadas que ao chorar se transformam, no meu rio de sonho de luz dourada antevendo a quimera longínqua de um ir para não mais voltar, comparando-o como a bandeira da minha nau que eu tento segurar mas que se vai desviando num desencontro e, esse é o meu.
Busco infimamente a minha identidade perdida, talvez um dia, reencontre a aurora que me conduzirá até há fronteira da turbulência num desamarrar liberto, conduzindo-me até há margem onde dormirei o meu sono eterno de sonho envolvendo-me no esbatimento de uma estrela sem brilho que ao acordar revê que não vale ser insano mas apenas humano e sem sonhos!
Esses não podem acompanhar-me foram bloqueados, no dia que tive a ousadia de nascer em forma de humano.
É o que somos...
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