segunda-feira, 28 de junho de 2010

O silêncio da saudade!

Cada dia que passa te perco mais um pouco, por não falar, não rir e, acima de tudo não ter coragem para te enfrentar, não é medo mas um cansaço surdo e mudo me faz agir deste modo. Cansaço vindo de mim para não enfrentar o teu Eu, para não te dizer o muito que amei, num silêncio emotivo do gesto demonstro tudo, isso mas não entendes, o hábito foi tão grande em vontades satisfeitas que apenas enxergas o teu Ego. Canso-me preterindo o silêncio, falo comigo num recordar de enganos profundos, sorrisos disfarçados onde pensas que eu não me apercebo, só tu, para pensares assim. Continuo neste vai e vem sem fim encostada aos dias que perdi, num frio gélido repensado por mim no afastamento de vidas, vagueias o teu olhar cansado e não me vês mas eu vejo com os meus olhos marejados de lágrimas que a vida foi passando e, ao coá-la o crivo rompe-se deixando passar segredos, saudades sentimentos num esvaziar de ar profundo, arquitectando um tumulto em névoas que por mais que tente desfraldar vai fugindo como um reprimenda até que faz pum e, num estridente sonho vai-se ajustando uma luz num disputar de sentimentos de apreensão e, acima de tudo desvario, aliviando e deplorando sonhos transfigurados, horas errantes num escarafunchar de memoração. A escolha é indeclinável, solto amarras em volta dos meus e, negas o teu Eu espiritual, esse está frio mas vou lutar para o amornar nas noites de sonho onde me cantas uma canção, lembras-te aquela que te fiz, onde relatava os meus medos em fragilidades de um sol que não rebrilhará enquanto não sorrires para mim completamente no futuro distinguindo o presente para fazer esquecer o passado num sorrir que procuro em ti, a calmaria de um anseio ao calar as palavras que te poderia ter dito, não sendo fácil, se fosse não seria verdadeiro, numa extensão de saudade que persisto em esconder para não me faltar o fôlego, fecho os olhos para te murmurar nas nuvens as promessas que jamais ouvirás, neste ímpeto de saudade.

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