Hoje fui procurar-te como sempre na visita repetitiva de semana a semana.
Venho com a dor na alma resignada mas a revolta muda da agrura da situação.
Por mais que olhe e envolva o meu olhar nada vejo a não ser a terra aos montes certinhos moldados pelo homem, intercalados aqui e ali em alvura de mármores brancos rebrilhando ao sol e, quanto mais olho mais penso do porquê tão cedo da partida…
Ali falo contigo, fingindo que me ouves como outrora, conto-te os meus problemas, os meus sonhos, os erros, o meu dia-a-dia num silêncio mudo porquê espero respostas e, apenas continua a espelhar o branco misturado com tons castanhos num reflexo solar de um sorriso sempre igual a ti mesmo na recordação de uma fotografia que eu pateticamente olho fixamente esperando que articules umas palavras e, saias ao meu encontro.
Cansada de me ouvir só a mim mesma convencida por um sonho imaginável da minha mente ao crer que passes do irreal para o real, transmitindo-te tudo mesmo em frases cansativas que transpiro por todos os poros na ânsia de me ouvires, me abraçares e, acima de tudo me redireccionares.
Ando perdida no jardim imaginário que criamos, olho os sonhos desfeitos e, as minhas mãos estão vazias, fecho os olhos esperando pelo beijo caloroso dos teus lábios e apenas sinto a brisa a passar misturada com o cheiro da rosa que plantamos há muitos anos atrás e neste sussurro de frase sinto que me rodeias mas nada podes fazer por mim, nesta divagação de procura de vazio em vazio.
Pensei numa esperança reencontrada num destino traçado, no beijo amado e arrebatado num consolo de carinho, no medo de um silêncio duradouro de te perder.
Triste pensamento porque ao virar as costas para o mundo real comprovo que o maior sofrimento é o não aceitar ainda a tua partida definitiva e, sempre seguirei os meus passos que me levam até aqui na sintonia de me ouvires no silêncio imposto pela ilusão do pensamento e, só será real quando eu for para o teu lado.
Sem comentários:
Enviar um comentário