sábado, 10 de julho de 2010

Principezinho

Principezinho "(...) A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho. - Por favor... Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer. - Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer... - Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti! - E o que é preciso fazer? - perguntou o principezinho. - É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto... (...) E foi assim que o principezinho prendeu a si a raposa. E quando chegou a hora da despedida: - Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar... - A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim... (...) E então voltou para o pé da raposa e disse: - Adeus... - Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê com o coração. O essencial é invisível para os olhos... - O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer (...)"

Sem comentários:

Enviar um comentário