terça-feira, 18 de maio de 2010

Sem Aviso!..

Hoje como em muitos outros dias, horas, a particularidade da mágoa invade minha mente, meu espaço e, além de tudo o significado do sorriso morreu há muitos anos, alegria aparente existe, o espelho da alma são os olhos e, esses de cara a cara são o reflexo do meu bem-estar. Partiste de todo o modo, deixando-me num desamparo profundo, tu eras eu e tu, eras o ar que eu respirava, o meu sentir, o meu viver, ria e sorria por ti, alimentava a minha alma sabendo que estavas, que regressavas, não me importando a espera, mais hora menos hora, eras o meu complemento directo na direcção de um rumo as nossas vidas, hoje pararam… Aquele dia nem horas nem minutos, esses foram passando, a porta não se abria o sorriso não veio, a presença foi-se… o único vestígio era o telefone, esse tocava sem parar, corri para ele ao pensar que eras tu…engano fatal, ao atender foi o choque a dor de não saber o que se passava… do outro lado, apenas se ouvia uma voz, a voz que me trouxe o terror, o infortúnio, a dor…e, que dor o não saber se vivias se respiravas se me dirias um olá se sorririas novamente para mim, esperanças vãs, corri saltei transpus tudo e todos, cheguei ao pé de ti numa linda artéria da nossa cidade, entrei naquele autocarro amarelo nº 11 e, deparei-me com o que eu jamais poderia visualizar, um saco atado, quis certificar-me se eras tu pedi para ver, recusas imensas, insistências minhas sentada no lastro ao teu lado, olhei e sorrias para mim, sem me veres e num apalpar senti o gélido corporal vulgar na situação, tomei consciência da tua partida, do teu abandono que seria para sempre. Lágrima não tinha, estampava a descrença apenas num sufoco da situação, ali e, em qualquer lugar público as minhas lágrimas não rolam, apenas em meus esconderijos de alma nesses faço o meu esconder de tudo e todos, refugiando-me no meu mar, rolando em rochas escondidas contemplando a lua ao longe num esbater de rebentamentos em ondas de espumas brancas, num cheiro de marés, gélidas que me fazem reviver o terror do dia do teu abandono terrestre, foste e serás em todo o sempre meu bem maior, por muito que eu prevarique, que calcorreie caminhos num desencontro de vida, é de ti que me lembro, és tu que ainda acendes a luz que na minha ilusão ilumina o meu caminho e me vai dando mesmo na ausência a força para continuar neste amor solitário… sorrio ao acabar estas letras que se for como dizem estás a lê-las…, sorri comigo, meu amigo, meu irmão e, meu tudo.

Sem comentários:

Enviar um comentário