segunda-feira, 29 de junho de 2009
Mendiga
Sinto que te perco a cada dia a cada hora
navego em águas turvas
dos escargaços vindos do mar alto
quão onda rebentando de dor
na plenitude de meu peito
como bancos de areia desfeitos
fechas-te em ti como uma concha
apesar de eu quer ser a tua estrela
mas a recusa de ver o teu eu no meu eu
qual paradoxo inigualável de lamento
desmontando num pranto abafado
em silêncio furibundo morrendo
junto à falésia de espumas brancas
onde eu tantas vezes implorei
os teus carinhos negados
fui mendigar a minha dor
na lufada de ar fresco ao sentir
na minha pele o teu hálito
como um pássaro esperando pelo progenitor
no alimento da minha alma desiludida
no sofrimento apertado nos sonhos desprezados
na angustia de saber que nunca serás meu
estendendo a mão como um mendigo.
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